Não nasci pros ambientes fechados. Quando o infinito do horizonte (o encontro do céu e do mar) é seu ponto de partida, não ver a luz do sol e o passar do tempo é castigo. É o caso de
ficar o dia todo num hotel que se pretende imperial, ar condicionado, trabalhadores engravatados prontos para servir especialmente àqueles que só conhecem os lugares quando vão de táxi.
Muito diferente dos dias intensos no DF, com suas inúmeras praças arborizadas, prédio oitocentistas, cores vivas. No caminho pro hotel onde foi a sede do Congresso, viadutos e vias expressas cinzentas. Nada parecido com o louco vaivém das centenas de pessoas pelo centro em cada cruzamento que vi na Cidade do México. Não vi por aqui crianças sorridentes e bochechudas brincando, nem camelôs cantando suas mercadorias nos transportes.
Mas sim conversei bastante por aqui. Me interessou especialmente o movimento Yo Soy 132. Foi um marco de mobilização como não se viu desde 1968, protagonizado por estudantes de uma universidade particular, a Universidade Iberoamericana da Cidade do México. Durante a campanha presidência, Peña Nieto foi a esta universidade e foi recebido com um escracho tão potente que se escondeu no banheiro. O escracho, organizado por 131 estudantes, colocou em xeque um massacre ocorrido meses antes, e para variar escondido pela mídia. O nome Yo Soy 132 se refere a “ser mais um“ (algo que me remete à ideia de “camisa 12“), pois muitos passaram a ser perseguidos, e o que defendiam foi amplamente apoiado por vários setores, inclusive internacionalmente.
Mas como sempre se colocam os desafios ao movimento: ao mesmo tempo que é preciso evitar os personalismos, também é preciso ter um mínimo de unidade de ação. Ser contra Peña Nieto unificou milhares de estudantes, mas e depois? Até onde se vai a unidade? Até onde se decide coletivamente mantendo a unidade na diversidade?
Fico muito feliz de saber que estou na construção de duas experiências que apresentam algumas possibilidades para estas questões. Uma é a Rede Emancipa de cursinhos populares, e a outra é o Juntos. Colocando novas questões e fazendo experiências, vamos avançando. Melhor do que colocar questões pelo simples prazer da abstração, tão ao gosto da academia sem compromisso com transformar o mundo.
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