terça-feira, 10 de junho de 2014

Por que tão pouco? Mulheres e negros(as) na Ciência

Recentemente um vídeo circulando na internet me chamou bastante atenção. Recebi de diversos cantos diferentes: algumas biólogas ou demais cientistas, outras feministas, um tanto de cada. O vídeo trata de uma pergunta aparentemente ingênua, cuja resposta presumida só contribui para reforçar estereótipos: Por que tão poucas mulheres na ciência?




Abrindo o vídeo, em que vale mais a pena a resposta vista do que descrita, me deparei com um rosto (e uma voz) bastante familiares. Fui tentando me lembrar de onde já havia visto e as lembranças começaram a me remeter a alguém familiar. É a voz das incríveis projeções do Planetário Hayden, que fica no American Museum of Natural History (aquele museu que sempre aparece no Scooby-Doo, em desenhos e demais filmes americanos que tem um esqueleto enorme de tiranossauro).

O dono da voz é Neil Degrasse Tyson, eminente cientista negro estadunidense, diretor do planetário e que dubla as sensacionais projeções do céu que assisti quando pude ir até lá. Depois que percebi já tê-lo visto em inúmeros programas de ciência, e até no Big Bang Theory:





Assistindo é que fui me dar conta de duas coisas divertidas. A primeira: ele é um dos responsáveis pela frustação de milhares de pessoas pelo mundo, principalmente de crianças (e eu acrescenteria as pessoas com signo de Escorpião) - o "rebaixamento" de plutão para "planeta-anão". E a segunda, mais engraçada ainda: ele é o "cara do ui". Se você não sabe o que é o cara do ui e quiser saber todo o contexto, veja esse vídeo em que o Neil DeGrasse Tyson diz porque acredita que Isaac Newton foi o maior físico de todos os tempos (vou ficar devendo a legenda) - se quiser ir direto à cena do ui, está entre o 1:32 e 1:36.



Sem dúvida, um cara pop, além de renomado na ciência. Entre outros feitos, Neil DeGrasse Tyson tem um nome de asteróide em sua homenagem (o 13123 Tyson), foi eleito por revistas distintas de o "astrofísico mais sexy do mundo" a "uma das 100 pessoas mais influentes", "um dos 50 afro-americanos mais importantes na pesquisa científica" e "um dos 100 alunos de Harvard mais influentes" (o que quer que isso queira dizer, sempre tenho minhas dúvidas).

Tyson remete às inúmeras dificuldades que teve sendo um garoto negro que queria ser um astrofísico. Tentando responder à questão que atribuía uma suposta inferioridade de mulheres à ciência, colocou um argumento que quase nunca aparece nos círculos acadêmicos, justamente porque é um espaço amplamente dominado por homens brancos. Quando olha para os lados e vê todos os outros como ele que ficaram para trás, porque, como ele, as professoras sugeriam que ao invés de estudar ciência fosse atleta, não pode ignorar as condições sociais em que isso se dá.

Ao pouco se falar da história das mulheres na ciência, com todo o reforço ao estereótipo de que "fazer conta é coisa de homem", e do ambiente por vezes violentamente misógino (simbólica ou fisicamente), atribuir as diferenças à genética é abrir mão de discutir privilégios sociais.


Tyson é homem, negro e estadunidense, com uma longa carreira na ciência, e é muito oportuno o ponto que coloca. Será que é preciso toda essa trajetória para ecoar a ideia de que essa diferença não é natural?

Em tempo: compartilho duas discussões interessantes em blogs sobre a misoginia de determinados espaços. Um deles da própria série Big Bang Theory  (e a representação da mulher na ciência) e outro sobre mulheres e games. Não somos bibelôs: somos o que queremos ser, assim sendo cada vez mais.

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